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O que é?
A acne, cujo nome correto é acne vulgar, é uma doença de pele crônica, comum em adolescentes. Ocorre em todas as raças, embora seja menos intensa em orientais e negros, e manifesta-se mais gravemente no sexo masculino. Em geral, observa-se que a acne acomete 95% dos meninos e 83% das meninas, com 16 anos de idade. Seu aparecimento é precoce, nas meninas a acne surge aos 11 anos e nos meninos aos 12 anos.
Quais são as causas?
A acne é mais frequente e mais grave em meninos do que em meninas, devido à influência dos hormônios masculinos, embora as alterações hormonais em mulheres (como é o caso de cistos ovarianos) possam piorá-la.
Alguns medicamentos, como é o caso dos corticóides tópicos e/ou sistêmicos, podem acentuar o quadro clínico de acne, bem como estimular o surgimento de um quadro acneiforme (lesões de acne em pacientes não portadores de acne).
Na maioria dos casos, no final da adolescência ou da 2ª década de vida, a resolução é espontânea. A influência genética na acne é muito importante. Dependendo do grau e da intensidade da lesão, pode deixar cicatrizes profundas, as quais podem criar estigmas sociais e alterações psicológicas no seu portador.
Os fatores primordiais para seu aparecimento são quatro:
1. produção aumentada de sebo: o que leva à oleosidade da pele;
2. hiperqueratinização folicular: que forma uma rolha de queratina, o que impede a eliminação de sebo pela glândula sebácea;
3. colonização bacteriana folicular: que leva ao aparecimento de infecção local, graças à multiplicação de Propionibacterum acnes;
4. liberação de substâncias inflamatórias ao redor da glândula.
Existem muitos mitos sobre a piora da acne com relação à ingestão de alguns alimentos. Os estudos atuais ainda não são conclusivos, mas sugerem que ingestão de leite e derivados,bem como a ingestão de carboidratos, pode piorar o quadro de acne. Talvez, alimentos a base de peixe e derivados teriam um efeito de proteção contra o seu aparecimento e/ou piora.
Quais são os sintomas?
Clinicamente, a acne é dividida em 5 graus:
. Grau I (comedoniana): predomínio de comedões (“cravos”) abertos (pontos negros) ou fechados (“bolinhas” brancas);
. Grau II (pápulo-pustulosa): predomínio de pápulas (“bolinhas” vermelhas) e pústulas (pontos de pus);
. Grau III (núdulo-cística): predomínio de cistos dolorosos. Freqüentemente, desaparecem, deixando cicatrizes;
. Grau IV (conglobata): há todas as lesões acima, mas com formação de abscessos intercomunicantes, geralmente deixando cicatriz;
. Grau V (fulminante): semelhante ao grau IV, mas em intensidade maior, porém com sinais sistêmicos de infecção generalizada.
Qual o Tratamento?
Seu tratamento pode ser com produtos tópicos e/ou sistêmicos, sempre orientado e acompanhado por um dermatologista.
Produtos tópicos: nesta classe, encontramos produtos, tais como sabonetes, loções ou cremes. Estes, podem ser à base de substâncias queratolíticas, como o ácido salicílico, enxofre, ácidos - retinóico ou glicólico, por exemplo, substâncias bactericidas (que matam bactérias) ou bacteriostáticas (que impedem a proliferação de bactérias), como o peróxido de benzoíla; ou antibióticos (como é o caso da clindamicina, por exemplo).
Produtos sistêmicos: geralmente, usam-se antibióticos, como é o caso dos derivados de tetraciclina (por exemplo, a própria tetraciclina e a limeciclina). Em graus III a V, ou na falha com o uso de tratamentos tópicos convencionais, no grau II, a medicação de escolha é a isotretinoína oral (um retinóide oral, derivado da vitamina A).
A isotretinoína oral deve ter sua administração bem controlada por um dermatologista, principalmente devido ao risco de má-formação fetal, em mulheres grávidas, que o utilizam durante a gestação, ou terminaram o seu uso próximo do momento de engravidarem.
Dr. Adilson Costa é Coordenador do Ambulatório de Acne e Dermatologia Estética da PUC-CAMPINAS. Contato:
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